Marcelo Cezar

Espiritualidade independente e respeito às diferenças.


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Com a corda no pescoço

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O cartão de crédito está no rotativo há meses, e a dívida só aumenta. A bateria do carro pifou, sua filha adolescente finge que você é um espírito; ela passa por você e não lhe dá a mínima atenção. O casamento está balançando e, pior: a firma começou a cortar pessoal, fazendo você se sentir a pessoa mais insegura e infeliz da face da terra.

Dá vontade de pedir para parar o mundo e saltar, tamanha a quantidade de problemas que assolam você no dia a dia. Ou trancar-se no quarto e não se levantar nunca mais. E nem estou me referindo a trânsito, congestionamento, condução apertada…

São muitos os problemas. Mas vamos encarar esses problemas como desafios? Sabe, a Vida sempre trabalha para o nosso melhor. Ela faz uma força danada para que eu, você, todos neste planeta sejamos estimulados a crescer e entender de uma vez por todas que problemas [ou desafios] estarão sempre presentes em nossa vida, hoje, amanhã e sempre.

A questão não é livrar-se dos problemas, mas olhar para esses desafios com os olhos do espírito. Como se faz isso? Simplesmente dando o melhor de si, sem se sobrecarregar, fazendo… o que dá para fazer. Temos a pretensão de querer salvar nossa família, nossos filhos, nossos amigos… e nesse corre-corre nos deixamos de lado.

Você precisa dar mais atenção ao que sente. Está com vontade de não fazer nada neste domingo? Pois se dê o direito de passar o dia todo de pijama, largada, dando um choque na rotina e curtindo um pouco de você.

Existe solução para tudo. O décimo-tercerio salário poderá quitar as dívidas, o mecãnico vai consertar o carro, sua filha vai crescer e logo essa rebeldia passa. As crises no casamento também passam. Tudo passa.

O importante é ter alegria no coração e olhar para esses desafios com humor. O humor é uma forte característica de espíritos bem resolvidos.

Se quer uma vida melhor, procure ser uma pessoa melhor. Tudo depende de você. Só de você. Por isso, encha seu coração de alegria, sorria. Não esqueça de que a felicidade é feita de pequenos momentos. Que tal criar agora um momento de felicidade?

Fique com meu abraço e, claro, com o meu sorriso! 

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Não perca mais tempo

Várias vezes tenho falado sobre a morte dos entes queridos. A dor da perda é muito mais difícil de superar. Embora a morte faça parte da vida como uma realidade da qual todos estamos sujeitos, a falta de conhecimento, da espiritualidade, a incerteza da sobrevivência e a fantasia têm vestido este acontecimento de tragédia, levando pessoas ao desespero.

À primeira vista pode nos parecer que os mais revoltados sejam aqueles que deparam com a morte inesperada de pessoas queridas em acidentes ou com pouca idade. Entretanto, não é isso que acontece.

Dias atrás fui procurado por uma pessoa aflita pedindo aos espíritos a cura de sua bisavó de 98 anos, que estava mal no hospital, dizendo não poder viver sem ela. Esses casos são comuns

Enquanto alguns que choram compreendem e aceitam que não podem mudar, outros se agarram aos que amam, ignorando o que seria melhor para eles, pretendendo a todo custo manter aquele espírito preso a um corpo envelhecido e doente que não tem mais condições de viver. A vida age de maneira certa e quando chega a hora é preciso compreender, deixar ir, mesmo contra nossa vontade.

O verdadeiro amor não é egoísta. Embora a presença da pessoa amada seja desejável, sua ausência não impede que o sentimento de amor continue fluindo, dando a quem o sente bem-estar, compaixão, vontade de contribuir para que o ser amado esteja bem onde estiver. 

Quem se revolta, quem não aceita o que foi determinado pela vida é porque não deseja perder a muleta. Sim. O apego é uma muleta que muitos chamam de amor mas é apenas o medo de ter que assumir responsabilidade por si. A insegurança e a ideia de que se é fraca e incapaz gera o inconformismo diante da perda de entes queridos, estabelecendo a revolta, a descrença, a mágoa exagerada que pode vir a inutilizar todas as oportunidades de progresso nessa vida e infelicitar outros membros da família.

Todavia, continua desesperada, chorosa. Já se perguntou como estará ele? Que sentimentos guardará em seu coração? Tendo uma nova vida pela frente, como enfrentar os novos desafios sendo chamado instantaneamente na retaguarda? Quem parte tem outras tarefas a realizar no outro mundo.

Você e seus filhos merecem um lar alegre e harmonioso. Precisam de motivação e entusiasmo para viver melhor enquanto você chora um passado que não volta mais, deixa de usufruir o amor, as alegrias e as compensações que eles podem lhe dar. Prove que ama sua família fazendo-os viver em um lugar feliz. Você pode e é capaz. Se Deus tirou sua muleta, é porque você tem condições de viver sem ela. Deixe de bater o pé como uma criança mimada porque não lhe dão o que quer.

O tempo passa depressa. Quando acordar para a felicidade, pode ser tarde demais. Esqueça o passado e faça de seu presente um momento bom. Um dia descobrirá que tudo sempre esteve e está certo como está.


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Entrevista para a Livraria da Folha

Olá pessoal.

Há algum tempo, dei uma entrevista ao site da Folha de S.Paulo, Livraria da Folha. A conversa foi bem bacana sobre o mercado editorial espiritualista e sobre a maneira como produzo meus livros.

Para quem ainda não leu, está aí a entrevista na íntegra e o link para a matéria.

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FELIPE JORDANI da Livraria da Folha / 4-8-11

Marcelo Cezar é um dos principais escritores de romances espíritas do país. Autor de 15 livros, treze deles já publicados, invadiu as prateleiras especializadas em julho com o lançamento O Próximo Passo, título que fala sobre a rejeição entre pais e filhos.
De acordo com Cezar, todos as suas obras foram escritas em parceria com o espírito de Marco Aurélio, que teria sido um investigador de polícia no Rio de Janeiro no fim do século 19 em sua última encarnação.

Romance espírita explica rejeição entre pais e filhos
O escritor, que também atua como editor na Vida & Consciência, uma das maiores editoras de livros espíritas do país, fundada por Zibia Gasparetto, fala, em entrevista, por telefone, à Livraria da Folha, sobre a história do novo livro, como funciona seu processo de escrita e do descrédito que parte do espiritismo tem com os romances espiritualistas.
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Livraria da Folha: Seu livro traz uma história de passado, presente e rejeição. Pode falar um pouco mais sobre o enredo?
Marcelo Cezar: Ele começa em 1975 e vem até hoje. Inicio com a história dos pais, porque o livro trata basicamente de rejeição entre pais e filhos. Os pais começam jovens, na década de 1970, depois nascem os filhos e aí é que nós vamos começar a entender melhor o processo de rejeição entre eles. Então vem de 1975 até 2011.

Livraria: Como é a sua relação com Marco Aurélio, o espírito que você diz ter lhe ajudado a escrever a história?
Cezar: Bem, nós temos 15 livros escritos. Treze deles publicados, com este último. Ele me acompanha desde as aulas de psicografia no centro espírita que eu frequentava. Nesta brincadeira, o Marco Aurélio está comigo há quase trinta anos. Ele foi me preparando durante quase vinte anos para a gente escrever um livro, acredita?
Não é assim, de um dia para o outro, que você começa a lançar livros e sai na lista de mais vendidos. O processo começou lá atrás, na década de 1980. O primeiro, nós fomos escrevendo ao longo de sessões, aulas de psicografia no centro [espírita]. A cada sessão, cada aula, escrevíamos um pouquinho. Então, ao longo de quase vinte anos, saiu o primeiro livro. Para você ver como o treino foi árduo.
Depois deste primeiro, comecei a ter disciplina. Como o próprio Chico [Xavier (1910-2002)] dizia que o [espírito do] Emmanuel falava para ele: “Disciplina, disciplina, disciplina”. É a mesma coisa que acontece com todos os escritores que escrevem livros psicografados. Aí comecei a escrever um livro por ano.

Livraria: E como funciona essa redação? Vocês compõem as frases juntos ou o Marco Aurélio passa ideias e você compõe as frases?
Cezar: Ele me passa as ideias e eu componho as frases, principalmente os diálogos. Eu coloco mensagens positivas para o leitor, porque fica mais fácil, senão parece que você está doutrinando. A partes mais ligadas à espiritualidade, à reencarnação, à mediunidade, são questões todas dele mesmo. Do espírito, não minhas.
Mas chega um momento, são tantos anos juntos, que você está tão acostumado que começa a confundir o que é seu e o que é dele, começa a misturar e fica uma coisa só. Por isso que nós, como escritores e médiuns, temos que estudar cada vez mais para não ter nenhum bloqueio do que o espírito queira passar. Se tiver algum preconceito ou dificuldade com alguma questão, vai ser muito difícil ele passar e de repente a minha mente acaba bloqueando, entendeu?

Livraria: Essas histórias compostas pelo Marco Aurélio seriam histórias que ele vivenciou ou…
Cezar: São verídicas, histórias que sempre chegam para ele. Ele conhece um espírito que vivenciou ou passou por essa situação e a traz. O que a gente faz, até por respeito, porque são histórias muito modernas e atuais –tem muita gente que está viva– é trocar lugares, profissões e personagens para preservar família, nome e tudo mais. É feito todo um arranjo, mas a estrutura e a situação são verídicas.

Livraria: Obras de literatura nacional têm tiragem de 3 mil e penam para vender. Já um romance espírita como o seu chega às prateleiras com 20 mil exemplares e tem venda garantida. Você chega a enfrentar descrédito, mesmo com toda essa aceitação?
Cezar: Dos céticos nem tanto. Eles dizem que a história é exclusivamente fruto da minha imaginação, mas que é muito boa. Então, eu até escuto elogios deles. Geralmente, quem pega no meu calcanhar são os espíritas puristas.

Livraria: Há sempre uma linha mais ortodoxa…
Cezar: Isso, como o judeu ou o muçulmano ortodoxos. Então, é complicado. Eu sinto que geralmente o preconceito vem do espírita. O “espiritão”, não estou falando dos espíritas em geral. Muita gente frequenta centros [espíritas] e diz “comecei a frequentar depois que li seu livro” ou “no centro que frequento o seu livro é muito bem aceito”. Mas há determinados grupos mais conservadores. Acho que isso é que fica mais interessante: são os espíritas conservadores que geralmente atacam ou condenam meus romances e, consequentemente, meu sucesso.

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/954496-obras-espiritualistas-sofrem-preconceito-dos-proprios-espiritas-diz-autor.shtml